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H > HERCULANO, Alexandre

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Autor: António Carneiro

Alexandre Herculano - (1810-1877)

Natural de Vale de Lobos, Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo é um dos vultos mais multifacetados da cultura portuguesa do século XIX, pela atenção que confere à política, à religião e à sociedade civil, bem como à literatura e ao ensino. Nome representativo do primeiro romantismo português, a par de Almeida Garrett, de quem foi amigo pessoal, Herculano compartilha com ele vários elementos biográficos: a intervenção social consciente e responsável em diversos domínios, o liberalismo convicto e empenhado, a participação em ações antimiguelistas e o subsequente exílio em períodos turbulentos. Dessa experiência extrafronteiras, em Inglaterra e em França, Herculano colheu frutos para os seus escritos políticos e historiográficos, de que os cargos como bibliotecário (quer no Porto, quer em Lisboa) muito beneficiaram.

De regresso ao país em 1832, funda e a dirige, cinco anos depois, a revista O Panorama, que lhe serve de balão de ensaio para a divulgação de escritos ficcionais (muitos deles reunidos em 1851, sob o título Lendas e narrativas), críticos e panfletários. É sob forma anónima que encontramos nesse periódico os seus Quadros de História Portuguesa – morte do conde Andeiro e do Bispo de Lisboa – 1838, entre outras prosas. Aí se colhe também uma interessante reflexão da sua lavra: “Quando o caráter dos indivíduos ou das nações é suficientemente conhecido, quando os monumentos, as tradições e as crónicas desenharam esse caráter com pincel firme, o novelista pode ser mais verídico do que o historiador; porque está mais habituado a recompor o coração do que é morto pelo coração do que é vivo, o génio do povo que passou pelo do povo que passa” (Chaves, 1979: 30).

É no Repositório Literário (1834 e 1835) que expressa as suas ideias estético-literárias à época, podendo entrever-se ali as grandes linhas da sua vivência do romantismo.

A publicação do livro de poemas A harpa do crente (1838) dita, de certa forma, um período literário fecundo, em que dá a lume romances como O Bobo (1843), Eurico o presbítero (1844), O pároco de aldeia (1844) e O monge de Cister (1848). Algumas das suas personagens, como Eurico ou Hermengarda,  perdurarão na memória de muitos leitores, pelo seu destino fatídico e pelos traços figurativos de que o romancista e historiador os reveste.

Importa referir que os romances históricos de Herculano, na linha de Walter Scott, servirão de modelo, ou pelo menos de inspiração, a autores seus contemporâneos e vindouros, nomeadamente a Rebelo da Silva e a Arnaldo Gama. São vários os autores portugueses oitocentistas que confessam ter-se carteado com o venerando romancista, em busca de conselho e aprovação. Assim acontecia com o jovem Bulhão Pato, por exemplo.

Autor de uma História de Portugal em quatro volumes, e de muitas outas obras de cunho histórico, é considerado por Ofélia Paiva Monteiro como “o grande renovador da nossa historiografia e um refutador audacioso (...) de ideias pré-concebidas e de velhas lendas, mesmo se imbuídas de ardor patriótico”. (Monteiro, 1995: 985). Esse desassombro repercute-se inevitavelmente na escrita ficcional.

Em 1867, decide afastar-se da vida pública e usufruir do recato da sua quinta em Vale de Lobos.

 

Referências

CHAVES, Castelo Branco (1979). O romance histórico no Romantismo português. Lisboa: ICP.

MONTEIRO, Ofélia Paiva (1995). "Herculano, Alexandre", Biblos. Enciclópedia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa. Lisboa-São Paulo: Verbo. Cols. 979-998.

 

Personagens no Dicionário:

Dom Bibas (O Bobo)

Eurico (Eurico o presbítero)

Hermengarda (Eurico o presbítero)

Vasco (O monge de Cister)

 

Marisa das Neves Henriques