• Precisa de ajuda para encontrar algum conteúdo?

S > SILVA, Rebelo da

Luis_Augusto_Rebelo_da_Silva_1.jpg

Luís Augusto Rebelo da Silva - (1822-1871)

Nascido em Lisboa, assiste desde cedo às convulsões políticas do Liberalismo, até pelo facto de ser filho de um homem profundamente comprometido com o Cartismo. O aparecimento de uma doença súbita, em 1841, vem pôr termo ao percurso académico que havia iniciado, dois anos antes, na cidade de Coimbra. Assim, é na Sociedade Escolástico-Filomática que encontra o estímulo intelectual e a confirmação dos dotes oratórios que a saída abrupta do ensino regular comprometera. Faz a sua estreia ficcional no periódico editado pela Sociedade – o Cosmorama literário – com a publicação de Tomada de Ceuta, romance histórico embrionário que virá a ser refundido, assumindo o título Contos ao serão: novelas africanas. Se numa primeira fase a admiração pela obra de Alexandre Herculano se traduz na apropriação de alguns dos seus procedimentos retórico-estílisticos, a consolidação da relação de amizade entre os dois escritores românticos firma-se com a colaboração de Rebelo da Silva na revista Panorama, onde virá a editar uma versão melhorada do romance Ódio Velho não Cansa.


          A sua posição social e política, ora ascendente, ora descendente, é um reflexo da instabilidade governativa da época. Além de colaborar em vários jornais, vem a ser, sob a égide do Cabralismo, fiscal régio do Teatro D. Maria II, substituindo Almeida Garrett nessas funções. Considerado um ultrarromântica, é autor de uma obra vasta, embora de qualidade díspar, que ascende aos 41 volumes, abarcando os géneros literários maiores, mas também a crítica literária e o ensaísmo histórico.


          O perfil biográfico e literário de Rebelo da Silva é analisado com severidade extrema por Teófilo Braga, que lhe reconhece muitas fragilidades históricas e filosóficas, decorrentes do seu espírito autodidata. Braga censura a sua apetência pelo improviso, admitindo que "o brilhantismo da frase encobria a falta de estudo dos carateres, dos costumes e das grandes leis da civilização moderna" (Braga, 1892: 120).


          A Mocidade de D. João V, que inicialmente vem a lume nas páginas da Revista Universal Lisbonense, teve uma edição definitiva em 1853, pela Casa Moré, tornando-se uma obra com assinalável êxito junto de sucessivas gerações de leitores, até às primeiras décadas do século XX. Provavelmente, é na familiaridade entre as personagens e o leitor que reside um dos segredos do sucesso do romance, desvendado no prólogo: «Era seu desejo animá-las de modo que, portuguesas nas feições, nas ideias e no viver, entrassem mais facilmente na intimidade do público, quase como amigos, ou conhecidos dele» (Silva, 1862, I: X). Nessa linha, se fixa o juízo crítico de Lopes de Mendonça, que reconhece ao romance “o desenvolvimento subjetivo e pessoal dos caracteres, e não o triunfo ou a supremacia dum pensamento social e político habilmente disfarçado nas peripécias e acontecimentos da ação dramática.” (Mendonça, 1853: 121) O jovem rei D. João V, protagonista da obra romanesca e representante de uma época que, segundo o romancista, é "especialmente dramática" (X) seria então apenas a face visível de um díptico dinâmico do ponto de vista da construção da personagem, que deveria mostrar o "reinado de D. João, mas de um D. João V mais velho, mais homem, mais absoluto no poder, e mais formado no caracter e nas paixões" (VIII).


          Todavia, não é apenas no domínio romanesco que Rebelo da Silva revela interesse pelo período setecentista, uma vez que dedica vários estudos de natureza histórico-literária a figuras como Bocage e Correia Garção e a movimentos literários filhos desse tempo.
Entre a sua obra ficcional, cumpre ainda referir Lágrimas e tesouros (1863) e o conto «A última corrida de touros reais em Salvaterra» (integrado em Contos e Lendas, 1873). No domínio histórico, mencione-se a História de Portugal nos séculos XVII e XVIII (1869-1871).