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P > PATO, BULHÃO

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Autor: Miguel A. Lupi
Autor: Rafael Bordalo Pinheiro

PATO, RAIMUNDO ANTÓNIO DE BULHÃO - (1844-1868)

 

Nascido em Bilbau, foi vítima, em criança, dos tumultos provocados pela guerra civil espanhola, que tiveram como consequência direta a sua vinda forçada para Portugal. No colégio da rua do Quelhas e, posteriormente, na Escola Politécnica recebeu a formação que o tornaria oficial da Direção Geral do Comércio e da Indústria.


            Bulhão Pato ficou sobretudo conhecido por aspetos que ultrapassam a sua apetência literária stricto sensu. Autor do poema narrativo Paquita (1866), associado à corrente ultrarromântica, sente-se pessoalmente lesado por Eça de Queirós e por uma das suas construções ficcionais – Tomás de Alencar. O incidente, que envolve alguma tinta e uma acesa troca de dichotes, leva o autor de Os Maias a pedir a Bulhão Pato que liberte a sua personagem de qualquer tentativa de aproximação entre o ser de papel e o pretenso lesado.

Porém, era indiscutível a sua associação aos epígonos do romantismo e a esta Paquita serôdia, o que colocava a geração de Bulhão Pato a jeito das críticas dos jovens poetas e sobretudo do olhar severo de Antero de Quental. Ainda na linha de fatores alheios à res literária, o seu nome ficará para sempre ligado a iguarias gastronómicas tipicamente portuguesas e a dotes culinários divulgados em livros da especialidade.

O seu labor literário pende maioritariamente para a poesia, nas suas vertentes satírica (Cantos e sátiras, 1873; Hoje – Sátiras, canções e idílios, 1888; A Dança Judenga – sátira, 1901) e lírica (O Livro do Monte, Canções da Tarde), embora um crítico como Jacinto do Prado Coelho reconheça nos livros de memórias, “em prosa limpa e fluente”, a parte mais interessante [porque menos datada] da sua obra” (Coelho, 1984: 801). Traduziu Shakespeare (O Mercador de Veneza e Hamlet), Lamartine e Hugo.

A Paquita, dedicada a Alexandre Herculano, seu grande amigo, é um extenso poema em XVI cantos, de onde emerge uma “bela e pálida heroína” (1866, I, 28), “Andaluza pur sang, alta e morena, / A cintura um anel, negro cabelo, Sorriso tentador, boca pequena” (1866, I, 6). Sextilhas disciplinadas, ao gosto dos formalistas, erigem um texto cheio de afetação teatral, que exagera na adjetivação e se espraia por divagações filosóficas, assumindo por vezes uma toada neoclássica.

Escreveu ainda Paisagens (1871) e Digressões e Novelas (1864), onde reúne dois pequenos romances de juventude (Matilde e Vento do Levante) e Sob os Ciprestes. Vida Íntima de Homens Ilustres (1877), obras em prosa onde revela aptidões de fisionomista e  de memorialista. No período de 1894-1907 encarrega-se de preparar os três volumes das suas Memórias.

A sua única incursão pelo teatro – Amor virgem numa pecadora: comédia num ato (1858) – foi bem sucedida e viria a ser representada no Teatro Nacional D. Maria II.

 

Referências:
          COELHO, Jacinto do Prado (coord.), Dicionário de Literatura, 3.ª edição, Porto, Figueirinhas, 1984, 3.º volume.

PATO, Bulhão, Paquita, Lisboa, Tipografia Franco-Portuguesa, 1866.