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G > GAIO, A. Silva

António de Oliveira Silva Gaio - 1830-1870

 

Gaio

 

Natural de Viseu, António de Oliveira Silva Gaio foi educado no seminário de Almeida, no distrito de Viseu. A insurreição contra essa instituição de ensino, em desfavor da investida miguelista, levá-lo-á a perder a visão de um dos olhos. É pai do poeta e crítico literário Manuel da Silva Gaio.

Em 1858, vem a formar-se em Medicina, pela Universidade de Coimbra, instituição onde, entre várias cadeiras que leciona, será regente de Higiene Pública. Dos tempos da Faculdade, sob o telhado da República dos Militares, recorda a galharda camaradagem mantida com os poetas João de Lemos e Tomás Ribeiro, entre outros colegas de Direito. Aliás, é no depoimento de Tomás Ribeiro (1877) que se colhem as informações mais válidas a respeito do autor. Uma veia jornalística instiga-o a ser redator d’O Comércio de Coimbra, entre 24/07/1863 e 18/03/1864, periódico que, na verdade, teve uma vida muito breve. Desde cedo revela um enorme zelo e entusiasmo pela causa liberal que o acompanha até ao fim dos seus dias.

Contemporâneo de Camilo Castelo Branco e um pouco mais novo que Júlio Dinis, seu colega de profissão, Silva Gaio é autor de um só romance histórico, com traços de atualidade (Mário: Episódios das lutas civis de 1820-1834), escrito num período de convalescença, e publicado pela Imprensa Nacional em 1868. Ao êxito alcançado por Mário associa-se o bom acolhimento de D. Frei Caetano Brandão, drama em cinco atos, publicado em 1869, que sobe à cena do Teatro Nacional D. Maria II nesse mesmo ano. Em ambos os casos a liberdade, o ideal de justiça, a caridade e a honra funcionam como porta-estandartes arvorados por Silva Gaio, que faz da escrita ficcional um veículo privilegiado de promoção da virtude e da integridade, assim como de denúncia da vilania.

Deixou por publicar as peças de teatro Luísa, representada em Viseu, e Madalena.

Mário, protagonista do romance de título homónimo que toma de empréstimo o nome de um dos filhos de Silva Gaio, incarna o modelo do liberal, do cidadão atuante numa época em que a luta entre liberais e absolutistas era acrisolada e exigia heróis à altura das grandes causas. Se o gérmen da obra estava na sua terra natal, na «grave tristeza da Beira», a razão da escolha era mais funda, parecendo-lhe «útil lembrar o que a liberdade custou», nomeadamente a homens como o seu pai, que morreu por esse ideal.

Esgotada a primeira edição da obra ainda em vida do autor, Mário recebeu críticas favoráveis, nomeadamente de Manuel Pinheiro Chagas («o mais notável romance, que há muitos anos aparece em Portugal, mesmo depois do livro das Pupilas, que não é composição menos primorosa, mas que tem mais limitadas aspirações»; Chagas, 1867: 264) e tem sido reeditada até aos dias de hoje.

 

Referências:

GAIO, António Silva (1869). “Prefácio-dedicatória a Tomás Ribeiro”, D. Frei Caetano Brandão. Drama em Cinco Atos. Coimbra: Imprensa da Universidade.

 

Personagem no Dicionário:

Mário (Mário)

                                                                                                                                                                                 Marisa das Neves Henriques