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C > CARVALHAL, Álvaro do

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Álvaro do Carvalhal - (1844-1868)

Álvaro do Carvalhal Sousa Teles é natural de Padrela, Valpaços, fez os seus estudos em Braga, antes de ingressar na Faculdade de Direito de Coimbra. Estava no quarto ano do curso quando se extinguiu o fio da sua vida breve, literariamente tão promissora. Atraiçoou-o um aneurisma pouco antes de acabar a revisão dos seus contos. Embora seja essa a obra, publicada a título póstumo, que lhe granjeou reconhecimento literário, o autor já havia dado a lume, em 1862, o drama O Castigo da Vingança!, que fez acompanhar de um Ensaio Literário.

Figura que concita opiniões contrárias (de ultrarromântico a precursor do naturalismo), Álvaro do Carvalhal terá escrito poesia, de que não deixou vestígios materiais, e terá tentado o género romanesco. Disso é prova a publicação do capítulo do romance Mistérios de uma Lágrima no jornal O Progresso de 10 de abril de 1863.

Correligionário da geração de 68, de que fazia parte o seu amigo João Penha, interveio na Questão Coimbrã com dois textos: “Suicídio: vem a pelo o Poema da Mocidade e o seu Autor” (Diário Mercantil de 23/09/1865); e "Antero de Quental e Ramalho Ortigão. Carta a A. de Azevedo Castelo Branco" (1866).

No que diz respeito à sua veia crítica, vale ainda a pena assinalar dois textos saídos no Comércio de Coimbra, onde vitupera o estilo rebuscado e neoclassicizante de A. Feliciano de Castilho e a literatura de Júlio César Machado.

Nos seis contos que nos legou dá provas de ter mergulhado com sucesso na ars da literatura negra e de terror, pondo-nos em contacto com o fantástico e com o grotesco de uma forma tal que não teve continuadores em Portugal. Hoffmann, Poe, mas também as dilacerações humanas shakespearianas intervêm no seu labor, onde, à originalidade do modo de expressão linguística, se alia um imaginário povoado de seres fantasmáticos e de ambiências sobrenaturais, com lugar para o insólito e para o macabro.

Tanto em “A Febre do Jogo” como em “O Punhal de Rosaura” os mortos regressam do além. "J. Moreno”, o conto que mais tentou estudiosos como Dias (1868: XIV-XV) a fazer um paralelismo biográfico entre o protagonista e as circunstâncias de vida do autor, retrata o homem na sua múltipla e simultânea propensão para o amor e para a ambição política e social, que o torna um ser cerebral e frio. Porém, tudo se esfuma sob o inexorável abraço precoce da morte. “A Vestal!” e “Honra antiga” colocam em cena modelos femininos completamente distintos: no primeiro emerge Florentina, a mulher dissimulada, no segundo Petronilha, a mulher-anjo que morre juntamente como o seu amado, para não macular o código familiar. Mais conhecido, mas deixado incompleto é o conto “Os Canibais”, cujo co-protagonista – o visconde de Aveleda – na sua enigmática pose de aristocrata melancólico e delicado concita uma aberrante ação que alguns (Santos, 1997: 77) leem como censura à sede de riqueza. O conto Os Canibais inspirou Manoel de Oliveira a realizar um filme-ópera em 1988.

 

Referências:

Dias, J. Simões (1868). "Estudo biográfico" in Álvaro do Carvalhal, Contos, Coimbra: Imprensa da Universidade.

Santos, M. P. Alves dos (1997). "Carvalhal, Álvaro do", in Dicionário do Romantismo Literário Português, coord. de Helena Buescu, Lisboa: Caminho. 76-77.

 

Personagem no Dicionário:

Everardo (Contos)

Rosaura (Contos)

 

Marisa das Neves Henriques