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D > DIAS, Carlos Malheiro

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Carlos Malheiro Dias - (1875-1941)

Carlos Malheiro Dias nasceu no Porto, onde estudou no Colégio de Santa Quitéria. Estudou também no Liceu de Lamego e frequentou o curso de Direito na Universidade de Coimbra; em Lisboa terminou o Curso Superior de Letras. A sua carreira administrativa passou pela chefia do gabinete do ministro das Obras Públicas; foi deputado do Partido Regenerador de Hintze Ribeiro pelo ciclo de Viana do Castelo em várias legislaturas.


Filho de uma senhora brasileira, alternou a sua vida entre Portugal e o Brasil onde passou longas temporadas, tendo-se estreado literariamente num jornal do Rio de Janeiro, A semana. Colaborou também nos periódicos Perfis Contemporâneos, Correio da Manhã, O Domingo Ilustrado, Branco e Negro, Serões, Brasil-Portugal, Atlântida, Lusitânia, Feira da Ladra, Jornal do Comércio, Jornal do Brasil, O País, A Ilustração Portuguesa (de que foi diretor) e no Comércio do Porto com as crónicas “Cartas de Lisboa”, mais tarde reunidas em três volumes.

Aos dezanove anos, assinando Carlos Dias, publicou o seu primeiro livro, Cenários Fantasias sobre a História Antiga, que viria a repudiar. Em 1896, A Mulata, novela de crítica à sociedade carioca, sobretudo aos meios literários e jornalísticos, protagonizada por uma prostituta e escrita segundo os preceitos naturalistas, valeu-lhe violenta controvérsia, tendo Malheiro Dias sido obrigado a regressar a Portugal e a retirar aquele livro das suas obras.

Nos três primeiros anos do século XX publica, sucessivamente, os romances Filho das Ervas, Os Teles de Albergaria e Paixão de Maria do Céu. Se o primeiro retrata o drama da ilegitimidade filial, o segundo foca o cenário político da segunda metade do século XIX, iniciando-se com as lutas liberais e culminando com a tentativa frustrada de implantação da república em Portugal, a 31 de janeiro de 1891. Em ambos encontra-se refletida, nos termos da escola realista e naturalista, a filiação monárquica do autor e a sua rejeição do regime constitucionalista então vigente.

Em Paixão de Maria do Céu, o autor liberta-se dos constrangimentos naturalistas, mas mantém a prática do realismo num romance histórico cuja ação se desenrola durante as invasões napoleónicas e a fuga da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro. Num romance de transição entre épocas literárias, Maria do Céu, considerada por alguns autores uma personagem camiliana movendo-se num universo queirosiano (v. Chorão, 1992: 30), protagoniza a paixão de uma jovem aristocrata portuguesa por um oficial do exército francês que a seduz e a abandona.


Prestes a abdicar da ficção, Malheiro Dias escreveu ainda três novelas, O grande Cagliostro (1905), adaptado para o teatro e levado à cena em 1905 (o que lhe valeu uma condecoração do rei D. Carlos), A Vencida (1907), e o póstumo e incompleto Amor de Mulher (1987), revelando uma aproximação ao neorromantismo e consequente afastamento da estética naturalista.        

O regicídio de 1908 e a implantação da República em 1910 levam-no a publicar Quem é o rei de Portugal? (1908), Do desafio à debandada e Zona de Tufões (ambos de 1912), e, em 1913, uma torrente vertiginosa de livros panfletários em defesa do regime monárquico: Entre precipícios, Em redor dum grande drama, O estado atual da causa monárquica e a peça teatral Inimigos, proibida por razões políticas. Ainda em 1913 prefacia o livro de estreia de Aquilino Ribeiro, Jardim das Tormentas. Volta ao Brasil, onde se torna diretor da Revista da Semana, e funda um outro magazine: O cruzeiro (1928).        

De regresso a Portugal, na onda de revivalismo nacionalista que o aproximou de António Sardinha e Afonso Lopes Vieira, publica Exortação à mocidade (1924), livro onde celebra a expedição de Alcácer Quibir e que lhe vale uma polémica com António Sérgio – a “Questão do Sebastianismo” – que durará até ao ano seguinte. Finalmente, em 1935 é nomeado pelo governo do Estado Novo embaixador em Madrid, mas uma doença grave impede-o de assumir o cargo, tendo morrido em Lisboa passados poucos anos.

 

Referência:

Chorão, J. Bigotte (1992). Carlos Malheiro Dias na ficção e na história, Lisboa: ICALP.