• Precisa de ajuda para encontrar algum conteúdo?

M > MENDONÇA, António Pedro Lopes de

a.p.lopes.mendonca.jpg

António Pedro Lopes de Mendonça - (1827-1865)

Nascido em Lisboa, no seio de uma família burguesa, rapidamente se devotou à literatura e ao jornalismo, depois da tentativa malograda de fazer carreira na Armada e de apoiar a causa patuleia e os novos anseios liberais. São as páginas de A Revolução de Setembro que começam por lhe disponibilizar o espaço necessário para expressar a sua verve nos planos político e ficcional; o mesmo que utiliza com o fito de se apresentar publicamente como patrono de Júlio César Machado e do seu Cláudio.

A estreia literária de Lopes de Mendonça dá-se com Cenas da Vida Contemporânea (1843), que acusa ainda a frescura da idade do autor. Anos mais tarde, saem, em folhetim, duas obras: O Último Amor (1849) e Distrações de um Cético. Em 1849 publica, na Revista Universal Lisbonense, Memórias de um Doido, romance protagonizado pelo jovem Maurício, que refunde passado dez anos, bem como os Ensaios de Crítica e de Literatura, cuja versão aperfeiçoada aparece em 1855, sob o título Memórias de Literatura Contemporânea. Em 1852, dá a lume Recordações de Itália,que se insere na literatura de viagens.

Uma certa simpatia pelo socialismo utópico instiga-o a fundar com Sousa Brandão o jornal Eco dos Operários, embora, numa espécie de retratação, venha a dizer a dada altura: “Insistíamos demasiado na ideia de querer levar a poesia para a arena política. São duas esferas distintas, a da arte, e da filosofia prática, que mutuamente se auxiliam nas suas manifestações, mas que convém se não confundam”(Mendonça, 1855: 238).

Lopes de Mendonça oscilou sempre entre a política, fazendo circular folhetos clandestinos e tornando-se até deputado, e o interesse pela cena cultural. Sérgio N. David reputa os seus textos de “literatura de observação, de combate, de reflexão sobre os impasses mais pungentes do homem do seu tempo” (David, 2007: 38).

Além de traduzir contos de Hoffmann e um romance de A. Dumas (Isabel da Baviera), Lopes de Mendonça escreveu a peça Afronta por Afronta (1848) e uma série de breves cenas para teatro (designadas “provérbios”), nomeadamente Casar ou meter freira. No fim da vida, problemas de saúde mental levam-no a declinar o convite de lecionar a disciplina de Literatura Moderna no Curso Superior de Letras.

 

Referências:

   DAVID, Sérgio Nazar, “Paixão e revolução na obra de A. P. Lopes de Mendonça”, O século de Silvestre da Silva, Lisboa: Prefácio, 2007, pp. 37-61.

   MENDONÇA, A. P. Lopes de, Memórias de Literatura Contemporânea, Lisboa: Tipografia do Panorama, 1855.