Fernanda Botelho (nome completo: Maria Fernanda Botelho de Faria e Castro) nasceu no Porto, a 1 de dezembro de 1926, e morreu em Lisboa, a 11 de dezembro de 2007.
A sua produção literária inicia-se com colaboração poética na revista Távola Redonda e com o volume de poemas As Coordenadas Líricas (1951). Depois disso e continuando a aparecer nas páginas de diversas revistas literárias, consagra-se sobretudo à escrita narrativa. Destaca-se nesta a forma como soube cultivar desapaixonados mecanismos de construção narrativa e de análise de personagens. Desse modo, situando-se nos primórdios do nosso feminismo literário, Fernanda Botelho deu testemunho sugestivo do trajeto social, moral e ético de uma burguesia que vive um pós-guerra algo desencantado. É muito disso que encontramos na sua produção de romancista, em particular em O Ângulo Raso (1957), Calendário Privado (1958), A Gata e a Fábula (1960), Xerazade e os Outros (1964), Terra sem Música (1969), Lourenço é Nome de Jogral (1971), Esta Noite Sonhei com Brughel (1987), Festa em Casa de Flores (1990), Dramaticamente Vestida de Negro (1994) e As Contadoras de Histórias (1998).
Entre outras distinções recebidas, Fernanda Botelho foi galardoada com importantes prémios literários: o Prémio Camilo Castelo Branco (A Gata e a Fábula), o Prémio P.E.N. Clube Português de Novelística (Dramaticamente Vestida de Negro), o Prémio Eça de Queirós (Festa em Casa de Flores) e o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Eescritores (As Contadoras de Histórias).
A obra de Fernanda Botelho tem estado a ser reeditada pela Abysmo, com coordenação de Paula Morão, que sublinhou a forma como a escritora soube “conciliar a visão crítica e ácida do mundo seu contemporâneo com a invenção cada vez mais elaborada da polifonia mostrando, por dentro das personagens, os estilhaços e os limites do século vinte português” (texto preambular a Gritos da minha Dança, 2020).
Personagens no Dicionário:
Paula Fernanda (A Gata e a Fábula)