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Luís Cipriano Coelho de Magalhães - (1859-1935)

Natural de Lisboa, é o filho mais velho de José Estêvão Coelho de Magalhães, fervoroso político e parlamentar ao serviço da causa liberal. Ao cursar Direito em Coimbra, em finais dos anos 70 do século XIX, torna-se adepto do Positivismo e sobretudo das teorias evolucionistas, fundando, juntamente com o seu amigo António Feijó, a Revista Científica e Literária. Nessa efémera publicação periódica dá a lume um texto em que apresenta os fundamentos do Realismo (e algumas das suas deficiências), perspetivando-o como uma medida de higiene que teria lavado a arte do “subjetivismo metafísico” (81) e como “processo de escola” (85). Além disso, aplaude a “solidariedade das ciências realizada na vasta síntese hierárquica da classificação comteana” (83), defendendo a inseparabilidade da arte e da ciência: “Toda a Arte deve ser científica, toda a Ciência deve ser artística” (83).


          A sua estreia literária, feita em sede poética, data de 1880 com a publicação da obra Primeiros Versos, a que se seguirá a edição de outros títulos nos anos seguintes (Navegações, de 1881, e Odes e Canções, de 1884). A par de uma vida política intensa, que o levará a desempenhar o cargo de Governador Civil de Aveiro, de Deputado e até de Ministro dos Negócios Estrangeiros, põe a render o seu talento jornalístico em publicações periódicas como A Província, A Sátira e a Revista de Portugal, onde publica o conto “A corista”.


          Do convívio estreito com a Geração de 70, e em especial com Eça de Queirós e Oliveira Martins, nasce por parte daquele o apadrinhamento de O Brasileiro Soares (1886). Este é o único romance do autor, sintomaticamente dedicado a Eça de Queirós. Num texto prefacial notável, Eça enfatiza “a originalidade, larga e rigorosa” (Queirós, 1886: V) de Joaquim Soares da Boa Sorte, por meio da qual se liberta finalmente a personagem do torna-viagem dos estigmas caricaturais do Romantismo. Aí, celebra “a origem genuinamente portuguesa, de raiz” (X) desta personagem-tipo recuperada pelo seu discípulo e saúda a sua técnica da observação, de feição reabilitadora – “a realidade bem observada e a observação bem exprimida” (XVII), que permite ao brasileiro “reentrar na natureza, e na partilha comum do bom e do mau humano” (XX). Neste romance está patente a sua profissão de fé naturalista ainda que, como Clara Rocha faz notar no prefácio à reedição do romance, subsistam vestígios da sensibilidade romântica e rasgos do herói trágico em Joaquim Soares da Boa Sorte (Rocha, 1981: 10-11). É também com justeza que Maria Aparecida Ribeiro (1994: 263-264) o coloca entre os epígonos da escola realista-naturalista.


          Embora tenha ensaiado outras experiências romanescas (O Problema da Vida), Luís de Magalhães regressa nos últimos anos de vida à criação poética (D. Sebastião, 1898; Os cantos do Estio e do Outono, 1908; Frota de Sonhos, 1924), oscilando entre o lirismo melancólico e um apelo profético. Com a morte de Eça de Queirós, abraçará a tarefa de publicação das obras póstumas do mestre e amigo.

 

Referências:

Magalhães, Luís de (1981). O Brasileiro Soares, prefácio e atualização do texto da autoria de Clara Rocha, Lisboa, IN-CM.

Magalhães, Luís de (1880-81). "O romance realista e a estética positivista", Revista Científica e Literária, Coimbra, pp.81-85.

Queiros, Eça de (1866). "Carta-prefácio" a O Brasileiro Soares, Porto: Chardron.

Ribeiro, Maria Aparecida (1994). História Crítica da Literatura Portuguesa - Realismo e Naturalismo. Volume VI, coord. de Carlos Reis,Lisboa, Verbo.